O primeiro ano da Maria (ou como conheci há um ano o maior amor do mundo)

Nunca senti o tempo passar tão rápido quanto neste seu primeiro ano de vida. Ainda pareço estar acordando aos poucos de um sonho intenso e maravilhoso que começou no dia 05 de março, ou melhor, oito meses antes dele. Digo oito meses porque você mal completou 35 semanas e já quis dar o ar da graça. E como encheu de graça minha vida desde o momento em que soubemos de sua existência. Claro que os oito meses que antecederam sua chegada foram o contrário do seu primeiro ano de vida. Tinham um quê de espera, de preparação para lhe acolher e, por essa razão e pela ansiedade em tê-la nos meus braços, foram os oito meses mais longos da minha vida. Seu primeiro ano, não. Rompeu os limites da ampulheta e escorreu pelas minhas mãos, escapando dos meus olhos no breve instante em que piscaram. Passou como uma estrela cadente, daquelas brilhantes e mágicas que a gente vê rasgando num triz o céu e, quando se dá conta, fica na dúvida se viu mesmo. Seu primeiro ano foi assim. Intenso, mágico, rápido, incrível. Tudo está tão fresco na minha memória que revivo e sinto novamente toda aquele misto de alegria, descoberta, dúvida, encantamento. As dores do parto, o choro entalado na garganta por não te ouvir chorar assim que saiu do meu ventre, a angústia de lhe ver na UTI neonatal buscando forças e resistindo bravamente e, ao mesmo tempo, a alegria sem tamanho com toda pequena grande evolução, a felicidade em lhe trazer para casa, o seu olhar buscando o meu, seu cheirinho anunciando sua presença nas nossas vidas, nossa cumplicidade nas tentativas (ora certeiras, ora frustradas) de amamentá-la, o orgulho a cada nova conquista e descoberta sua, a dor de não conseguir lhe aliviar as dores, o aprendizado de lhe conhecer dia a dia, a certeza de que a vida é um milagre, a paciência com o seu processo de desvendar o mundo,  a alegria a cada uma de suas primeiras vezes: o primeiro sorriso, a primeira risada, o primeiro aceno, o primeiro engatinhar, os primeiros passos, as primeiras descobertas, as primeiras palavras, o primeiro “mamãe”… De uma hora pra outra, aquele bebê frágil, indefeso, pequenino, tornou-se uma menininha cheia de personalidade, capaz de fazer tudo se tornar melhor e mais bonito. Participar desse milagre é a alegria mais sublime que já pude experimentar na vida. Este aniversário é nosso, Maria. Celebramos seu primeiro ano de vida, e, intimamente, celebro meu primeiro ano de mãe. Obrigada por me fazer renascer com você, minha filha, e por me permitir experimentar o maior amor do mundo. 

Maria mês a mês

Maria mês a mês

Casos e cantigas para Maria dormir

Maria é muito tranquila para dormir. Desde pequena, dispensa o balanço dos braços e dorme bem e feliz no seu bebê-conforto ou no berço (o primeiro, para os cochilos diurnos, e o segundo, para o sono da noite). Fica um tempinho resmungando, cantarolando, choramingando, como se não quisesse deixar o sono chegar para não perder um só minuto do seu precioso tempo de aprendizagens e descobertas. Choraminga, resmunga, bate os bracinhos, até que perde para o sono, vira o rostinho para o lado e apaga. Simples assim. Só que, de uns tempos pra cá, a mocinha tem preferido o carrinho ao bebê-conforto e exigido um pouco mais dos que se aventuram nesta tarefa de colocá-la para dormir. Não dorme sem antes ser empurrada no carrinho (e quanto mais ritmado e intenso for, melhor), além de ouvir todo o repertório de musiquinhas, que começam com o “Sapo Cururu”… Acho que ela já sabe que quando cantamos as músicas de sapo, tem que dormir. Ou então ela se cansa de tanta musiquinha enjoada e não resta outra opção senão fechar os olhos. Só sei que funciona, e como! Com os pés no carrinho, esticando e encolhendo as pernas, vou garantindo o embalar da minha menina (e, por que não, fazendo meu pilates improvisado). As músicas já vêm à mente numa sequência, quase que automaticamente: “Sapo cururu…”, “o sapo na beira da lagoa”…, “borboletinha…”, e por aí vai. Quando acaba, recomeço. Se não funcionou em duas rodadas, o que é muito raro, apelo para o improviso. E aí me retornam à mente as músicas mais estapafúrdias, que não sei de onde surgem. Maria já ouviu de tudo, mas os jingles são recorrentes e infalíveis. Tem de tudo: “Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar, um bom sono pra você e um alegre despertar”, dos Cobertores Parahyba, “Que surpresa, mocotó Imbasa, a geleia que eu gosto mais de comer…”, das geleias de mocotó Imabasa, “Dorme, dorme filhinha, com Auricedina”… e por aí vai. O pior é que reparei que são só jingles antigos, de produtos que a gente nem encontra mais. Imaginem a confusão na cabeça da menina, quando se lembrar desses jingles cantados pela mãe e descobrir que são dos anos 80, 90, quando ela nem sonhava em vir ao mundo. “Mas eu me lembro dessa propaganda!!!”, ela dirá. Ou pior, se com isso eu acabar aguçando os interesses publicitários da menina e ela seguir a profissão do pai. Ou, pior ainda, se ela se tornar uma menina consumista! Ai, ai… Minha esperança é que, sem que eu tenha percebido, quando eu começo a cantarolar esse repertório publicitário demodê, Maria já esteja há muito tempo nos braços de Morfeu.