Quando um filho cria asas e alça voos solos

Não, não estou falando da Maria. Com seus seis meses e poucos dias, essa fase ainda está longe de chegar (pelo menos assim penso). Está certo que sinto suas asinhas crescendo um pouco mais a cada vez que ela se torna mais independente, por exemplo, quando recusa o peitinho de mãe e se vira bem com a mamadeira, ou quando nem liga quando eu saio para trabalhar. Nessas horas, é um misto de alegria de vê-la crescendo, mas dá também uma pontinha de vontade de tê-la por mais tempo debaixo das minhas asas. Então, desta vez, peço licença para escrever sobre meu outro filho, um irmão-filho que neste domingo bateu suas asas rumo a Toronto. Luiz Henrique nasceu quando eu tinha doze anos. Foi ele meu boneco preferido nesta época, meu cobaia no treinamento para ser mãe. Já caí da rede de balanço com ele, levamos muitos tombos rua afora, afoguei-o na piscina do clube, deixei o passarinho trombar na cabeça dele, entre muitas outras “aventuras” que poderiam tê-lo feito me odiar para todo o sempre. Ao contrário, a cada dia nos amamos mais. Talvez porque a cada queda, tropeço ou deslize com ele, eu sempre dava um jeito de parecer que era divertido (coisa que tento aplicar com Maria e que funciona bem). Esse treinamento com meu irmão caçula durou até quando eu saí do interior e vim para Belo Horizonte, cursar Jornalismo. Acabei não voltando mais. Nessa época, Luiz tinha sete anos e nós dois sentimos a separação. Nossa relação mãe e filho passou a se dar apenas nos finais de semana. Depois desse período, desde 2011, quando começou a graduação em Engenharia Civil, ele veio de Azurita para Belo Horizonte e passou a morar comigo e meu marido. Senti como se meu filho tivesse voltado para casa já crescido, e que eu estava retomando a maternidade depois de alguns anos. Meu marido também o “adotou” como filho mais velho, nosso “herdeiro”, como brincamos, depois que ele foi confundido como nosso filho pelo instalador de armários. Éramos três, veio Maria, ficamos quatro. Impossível estar do lado dele sem ouvir uma piada inteligente e dar boas risadas. Bom também é desfrutar das comidas deliciosas que ele faz. Melhor ainda é poder contar com sua companhia, presença amável e sempre prestativa, especialmente nos cuidados com Maria, de quem é padrinho. Desde que foi selecionado para o Ciência sem Fronteiras, programa do governo federal para fomento à graduação sanduíche, percebi o quanto meu filhinho cresceu. Eu, que até então o via como um menininho, e até sonhava muitas vezes com ele bebê ainda, me deparei com um homem feito, responsável, decidido e com um futuro brilhante pela frente. Domingo ele bateu suas asas e voou para Toronto. Ficamos aqui, com o ninho vazio, mas com uma grande alegria de ver nosso primeiro filho, de coração, ganhando o mundo.

O caso do “Que beleza!” (ou como um bebê pode fazer você ganhar o dia)

De tempos em tempos, experimento na Maria as roupinhas novas que ainda estão grandes para ela e fico feliz ao ver que muitas delas já servem, porque minha mocinha está crescendo e engordando. De tempos em tempos, experimento minhas roupas de antes da gravidez para ver se já estão me cabendo novamente, e fico feliz ao ver que muitas delas me servem, porque estou emagrecendo. Nossa lógica oposta resulta na mesma satisfação para mim. Certo dia desses, minha alegria ao experimentar minhas roupas guardadas no baú da cama foi ainda maior, não apenas por muitas delas caberem na minha nova silhueta (um pouco mais curvelínea e rechonchuda), mas pela reação da Maria ao me ver prová-las. Lá estava eu, colocando minha calça amarela – tão pouco usada e guardada por longos 15 meses – feliz da vida, quase saltitante, quando, ao ver que já estava me servindo, soltei um “Que be-le-za!”, enfático e pausado. Maria, no auge dos seus quatro meses, que estava no bebê conforto me vendo fazer o jogo do estica e puxa, deu uma gargalhada deliciosa. Não sei se ela riu da minha situação ridícula ali, tirando e colocando roupas, fazendo uma figa para me servirem, soltando ais e ufas, ou se ela quis compartilhar da minha felicidade expressa nesse “Que be-le-za” que soltei. Só sei que repeti a frase exaustivamente, apesar de não ter tido o mesmo resultado da calça amarela com todas as peças do baú, mas só para ouvir mais e mais vezes aquela gargalhada contagiante. Aquilo me bastou e me fez ganhar o dia. Já não me importava mais o que servia ou não em mim.

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Personas de Maria

Pituquinha, Tuca Tuquinha, Filhotinha, Florzinha, Amore, Amor de mãe, Pititinha, Pituca, Pititita, Filhinha, Pequetitinha, Meninica, Maricotinha… enfim, MARIA! Todas essas apelidos carinhosos – se é que me lembrei de todos – com os quais chamo minha filha são no mínimo curiosos (e bobinhos, reconheço). Mas pensar sobre como esses apelidos surgem, se apoderam da nossa boca e tentam tomar o lugar do nome próprio sem a gente perceber é ainda mais curioso. Primeiramente, para que tanto nome para se referir a uma pessoa só? E por que quase todos no diminutivo? De que lugar criativo (e non sense) da minha consciência eles saíram (se é que surgiram conscientemente)? Por que trocar um nome tão lindo, escolhido com tanto carinho, por esses termos tão estranhos?  Já me peguei pensando nisso e não consegui achar uma resposta. Difícil precisar em que momento eles surgem, em que momentos eles são mais usados (alguns em brincadeiras, outros em trocas de carinho, outros até mesmo numa repreensão de leve…). De fato, se alguém tiver alguma ideia sobre isso, mate, por favor, minha curiosidade. Divagando um pouco, talvez seja uma tentativa de plurarizá-la, de tê-la de todas as formas por perto, de multiplicá-la em meu coração, de extravasar um sentimento de que ela vale por muitas. Tentativa em vão, pois Maria é, absoluta, no singular.

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Cheguei!!!!

Quando tinha meus sete anos, me lembro da minha tia se preparando para a chegada do seu primeiro filho. Com papel vegetal, ela fez pequenos babadores decorados nas bordas, com  flores na frente e a palavra “Cheguei!!!!”, para dar de lembrança de maternidade. Muitos anos depois, foi ela quem bordou várias toalhas para a minha primeira filha, Maria, e, entre elas, algumas com a palavra “Cheguei!!!!!”. Realmente, acho que não tem palavra melhor para dizer deste momento em que um serzinho chega na nossa vida. Ele vem assim mesmo, com várias exclamações e em letras garrafais. Chega para mudar para melhor a vida da gente. Chega para ser parte de uma família que já existia, mas que daí em diante nunca será a mesma. E hoje, registro aqui também a chegada deste blog. CHEGUEI!!!!!!! Após muita insistência do meu marido, grande companheiro de vida, resolvi criar este espaço para compartilhar histórias e casos sobre ser mãe. Digo insistência não porque eu não quisesse de fato ter esse espaço aqui, mas porque ainda não me sentia preparada ou com tempo disponível para fazer isso. Coisas de mãe que decidiu se dedicar quase que exclusivamente à filha. Coisas de quem está um pouco com medo de recomeçar, e confesso que estou. Coisas de quem passou toda a licença-maternidade focada na filha e se esqueceu um pouco de si. Talvez por isso esse início veio se protelando e só agora, quase seis meses depois do nascimento da Maria, ele aconteceu. Retomo aos poucos a minha própria vida, voltando ao trabalho, às aulas na faculdade e, por que não, a escrever sobre coisas tão incríveis que não devem ser restritas somente a mim. Sim, posso dizer agora que CHEGUEI!!! E peço licença para ficar.

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