O caso do “Bu” (ou como Maria ganhou o novo apelido de Buzinha”

Antes ela arregalava os olhos ao ouvir o “bu” que eu fazia, tremendo os lábios, imitando o barulho do caminhão. Depois do ligeiro susto, um sorriso ganhava seu rosto. E depois de tanto ouvir, tentar fazer, cuspindo para todo lado, ela conseguiu fazer o “buuu” em sua melhor performance, a toda hora, inflando as bochechas e até chegando a engasgar. A gente parava tudo o que estava fazendo só para ouvir esse interminável “buuu”, quase precisando de um guarda-chuva para se proteger dos pingos que voavam para todo canto. A cada tentativa dela, uma gargalhada nossa. Nessa brincadeira, já não dava mais pra saber quem fazia quem rir. Foi então que Maria, de tanto fazer “bu”, ganhou o apelido de “Buzinha”, a menina que faz o “bu”mais incrível que já se viu. Tudo isso teve seu auge quando Maria tinha por volta dos seus cinco meses, quando o “bu” era um pouco mais inocente. Hoje, com seus sete meses, ela tem várias outras brincadeiras do tipo “pra fazer papai e mamãe rirem“, mas volta e meia ressurge com o “bu”. Vira um grande desafio quando é feito com a boca cheia de papinha. É um “salve-se quem puder!!!”, e pedacinhos de cenoura, beterraba, batata, chuchu, e outras variedades de legumes se espalham pelo carrinho e sala afora. Mesmo assim, ainda é delicioso ouvir e vê-la fazer o “bu” com tanta alegria. Fico pensando se, ao relembrá-lo, ela, de certa forma, queira nos dizer, em tom de homenagem: “Olha só como eu me lembro do que vocês me ensinaram quando eu era pequenininha.” Ou então: “Vejam como venho aperfeiçoando o bu que vocês me ensinaram”. De toda forma, com essa estratégia, nossa Buzinha consegue arrancar várias gargalhadas e uma alegria de encher o peito da mamãe e do papai.

Para registrar…

http://www.youtube.com/watch?v=JINZdF8Lm7g

A pequena devoradora de livros

Se filha de peixe peixinha é, Maria, filha de dois professores comunicólogos loucos por livros, já mostra desde os primeiros meses o gosto por eles. Quando tinha por volta dos três meses, ganhou dos papais uma cadeira musical cheia de penduricalhos, dentre eles um livrinho de pano com figuras do fundo do mar, que faz barulho ao ser apertado. Desde então, adotou-o como brinquedo preferido. Só que para seus poucos meses de vida, entrar no mundo mágico que a imaginação constrói a cada página lida é algo ainda pouco cogitado, convenhamos. O que ela gosta, e muito, é de ler com a boca. Não no sentido de ler em voz alta, como provavelmente ela fará daqui a alguns anos, quando estiver decifrando esse código linguístico que inventamos, mas no sentido literal de devorar cada página do seu livrinho de pano. É um tal de morde pra cá, amassa pra lá, folheia aqui, aperta ali…  Tem horas que fica até bravinha por não conseguir colocá-lo todo na boca, tamanha a ansiedade da pequena devoradora de livros. O fato é que outro dia constatamos que, para ela, quanto maior o livro e quanto mais páginas ele tiver, melhor!  Depois de demonstrar encantamento pela estante multicor da sala, diante da qual fica fascinada, viu o papai pegar um livro imenso e não pensou duas vezes: largou seu livrinho de pano com algumas poucas letras e avançou no livrão de papel e letras miúdas que o papai pegou da estante. Não fosse o tamanho do livro um empecilho para essa façanha, as mãos ágeis e a boca voraz da menininha teriam transformado o livrão do papai no melhor brinquedinho babado da filhinha, que, por ser filha de traças, tracinha parece ser.