Sobre interações e desenvolvimento da linguagem – o caso do suco

Este blog anda um tanto quanto solitário nos últimos tempos. É que Maria, no auge dos seus quase dois anos (e hoje, exatamente, completou um ano e 11 meses) nos requer ainda mais atenção e interação. Isso quer dizer que o dia inteiro tagarelamos. Nos entendemos maravilhosamente bem. Do murmúrio de coisas ininteligíveis, passando pelas palavrinhas básicas e mágicas, agora Maria é a rainha da interação. Tá certo que, na frente de pessoas estranhas ou com pouca convivência com ela, se faz de tímida, mas é tudo cena. Em casa e entre os mais familiares, ela se solta. Fala o tempo inteiro, conversa como quem sabe tudo o que está ao seu redor. E tem horas que acho que sabe mesmo. Outro dia me soltou essa: “mamãe, liga televisão. Novela e jornal não. Patati Patatá”. Isso é só um aperitivo da alegria que é essa convivência. Ontem, fã de suco e de frutas que só, me pediu: “Suco de uva, mamãe”. “Não tem, filha.” “Suco de cirola”. “Também não, não tem acerola”. “Suco de goaba?” “Tem, de goiaba tem, vou fazer.” O Rafinha, primo-filho que mora com a gente, perguntou a ela: “Você gosta de suco, Maria? De qual suco gosta mais?” E ela, prontamente: “maacuá“, que não estava na lista. Hoje, mais uma de suco para fechar o dia. Ofereci água a ela, já no início da noite. Ela me respondeu: “Água não, mamãe, suco.” Como tínhamos água de coco em casa, o papai falou: “Vamos tomar água de coco então?” E ela: “de coco não. Água de uva. Água de cirola. Água de goaba…” PS: Olha só como a nossa menina cresceu!!!

O primeiro ano da Maria (ou como conheci há um ano o maior amor do mundo)

Nunca senti o tempo passar tão rápido quanto neste seu primeiro ano de vida. Ainda pareço estar acordando aos poucos de um sonho intenso e maravilhoso que começou no dia 05 de março, ou melhor, oito meses antes dele. Digo oito meses porque você mal completou 35 semanas e já quis dar o ar da graça. E como encheu de graça minha vida desde o momento em que soubemos de sua existência. Claro que os oito meses que antecederam sua chegada foram o contrário do seu primeiro ano de vida. Tinham um quê de espera, de preparação para lhe acolher e, por essa razão e pela ansiedade em tê-la nos meus braços, foram os oito meses mais longos da minha vida. Seu primeiro ano, não. Rompeu os limites da ampulheta e escorreu pelas minhas mãos, escapando dos meus olhos no breve instante em que piscaram. Passou como uma estrela cadente, daquelas brilhantes e mágicas que a gente vê rasgando num triz o céu e, quando se dá conta, fica na dúvida se viu mesmo. Seu primeiro ano foi assim. Intenso, mágico, rápido, incrível. Tudo está tão fresco na minha memória que revivo e sinto novamente toda aquele misto de alegria, descoberta, dúvida, encantamento. As dores do parto, o choro entalado na garganta por não te ouvir chorar assim que saiu do meu ventre, a angústia de lhe ver na UTI neonatal buscando forças e resistindo bravamente e, ao mesmo tempo, a alegria sem tamanho com toda pequena grande evolução, a felicidade em lhe trazer para casa, o seu olhar buscando o meu, seu cheirinho anunciando sua presença nas nossas vidas, nossa cumplicidade nas tentativas (ora certeiras, ora frustradas) de amamentá-la, o orgulho a cada nova conquista e descoberta sua, a dor de não conseguir lhe aliviar as dores, o aprendizado de lhe conhecer dia a dia, a certeza de que a vida é um milagre, a paciência com o seu processo de desvendar o mundo,  a alegria a cada uma de suas primeiras vezes: o primeiro sorriso, a primeira risada, o primeiro aceno, o primeiro engatinhar, os primeiros passos, as primeiras descobertas, as primeiras palavras, o primeiro “mamãe”… De uma hora pra outra, aquele bebê frágil, indefeso, pequenino, tornou-se uma menininha cheia de personalidade, capaz de fazer tudo se tornar melhor e mais bonito. Participar desse milagre é a alegria mais sublime que já pude experimentar na vida. Este aniversário é nosso, Maria. Celebramos seu primeiro ano de vida, e, intimamente, celebro meu primeiro ano de mãe. Obrigada por me fazer renascer com você, minha filha, e por me permitir experimentar o maior amor do mundo. 

Maria mês a mês

Maria mês a mês

O caso do “Bu” (ou como Maria ganhou o novo apelido de Buzinha”

Antes ela arregalava os olhos ao ouvir o “bu” que eu fazia, tremendo os lábios, imitando o barulho do caminhão. Depois do ligeiro susto, um sorriso ganhava seu rosto. E depois de tanto ouvir, tentar fazer, cuspindo para todo lado, ela conseguiu fazer o “buuu” em sua melhor performance, a toda hora, inflando as bochechas e até chegando a engasgar. A gente parava tudo o que estava fazendo só para ouvir esse interminável “buuu”, quase precisando de um guarda-chuva para se proteger dos pingos que voavam para todo canto. A cada tentativa dela, uma gargalhada nossa. Nessa brincadeira, já não dava mais pra saber quem fazia quem rir. Foi então que Maria, de tanto fazer “bu”, ganhou o apelido de “Buzinha”, a menina que faz o “bu”mais incrível que já se viu. Tudo isso teve seu auge quando Maria tinha por volta dos seus cinco meses, quando o “bu” era um pouco mais inocente. Hoje, com seus sete meses, ela tem várias outras brincadeiras do tipo “pra fazer papai e mamãe rirem“, mas volta e meia ressurge com o “bu”. Vira um grande desafio quando é feito com a boca cheia de papinha. É um “salve-se quem puder!!!”, e pedacinhos de cenoura, beterraba, batata, chuchu, e outras variedades de legumes se espalham pelo carrinho e sala afora. Mesmo assim, ainda é delicioso ouvir e vê-la fazer o “bu” com tanta alegria. Fico pensando se, ao relembrá-lo, ela, de certa forma, queira nos dizer, em tom de homenagem: “Olha só como eu me lembro do que vocês me ensinaram quando eu era pequenininha.” Ou então: “Vejam como venho aperfeiçoando o bu que vocês me ensinaram”. De toda forma, com essa estratégia, nossa Buzinha consegue arrancar várias gargalhadas e uma alegria de encher o peito da mamãe e do papai.

Para registrar…

http://www.youtube.com/watch?v=JINZdF8Lm7g

Casos e cantigas para Maria dormir

Maria é muito tranquila para dormir. Desde pequena, dispensa o balanço dos braços e dorme bem e feliz no seu bebê-conforto ou no berço (o primeiro, para os cochilos diurnos, e o segundo, para o sono da noite). Fica um tempinho resmungando, cantarolando, choramingando, como se não quisesse deixar o sono chegar para não perder um só minuto do seu precioso tempo de aprendizagens e descobertas. Choraminga, resmunga, bate os bracinhos, até que perde para o sono, vira o rostinho para o lado e apaga. Simples assim. Só que, de uns tempos pra cá, a mocinha tem preferido o carrinho ao bebê-conforto e exigido um pouco mais dos que se aventuram nesta tarefa de colocá-la para dormir. Não dorme sem antes ser empurrada no carrinho (e quanto mais ritmado e intenso for, melhor), além de ouvir todo o repertório de musiquinhas, que começam com o “Sapo Cururu”… Acho que ela já sabe que quando cantamos as músicas de sapo, tem que dormir. Ou então ela se cansa de tanta musiquinha enjoada e não resta outra opção senão fechar os olhos. Só sei que funciona, e como! Com os pés no carrinho, esticando e encolhendo as pernas, vou garantindo o embalar da minha menina (e, por que não, fazendo meu pilates improvisado). As músicas já vêm à mente numa sequência, quase que automaticamente: “Sapo cururu…”, “o sapo na beira da lagoa”…, “borboletinha…”, e por aí vai. Quando acaba, recomeço. Se não funcionou em duas rodadas, o que é muito raro, apelo para o improviso. E aí me retornam à mente as músicas mais estapafúrdias, que não sei de onde surgem. Maria já ouviu de tudo, mas os jingles são recorrentes e infalíveis. Tem de tudo: “Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar, um bom sono pra você e um alegre despertar”, dos Cobertores Parahyba, “Que surpresa, mocotó Imbasa, a geleia que eu gosto mais de comer…”, das geleias de mocotó Imabasa, “Dorme, dorme filhinha, com Auricedina”… e por aí vai. O pior é que reparei que são só jingles antigos, de produtos que a gente nem encontra mais. Imaginem a confusão na cabeça da menina, quando se lembrar desses jingles cantados pela mãe e descobrir que são dos anos 80, 90, quando ela nem sonhava em vir ao mundo. “Mas eu me lembro dessa propaganda!!!”, ela dirá. Ou pior, se com isso eu acabar aguçando os interesses publicitários da menina e ela seguir a profissão do pai. Ou, pior ainda, se ela se tornar uma menina consumista! Ai, ai… Minha esperança é que, sem que eu tenha percebido, quando eu começo a cantarolar esse repertório publicitário demodê, Maria já esteja há muito tempo nos braços de Morfeu. 

 

 

Descobrindo os sabores (ou: existe vida após as papinhas?)

No dia em que completou meio ano, Maria ganhou de presente a possibilidade de experimentar um mundo de sabores. Deixaria de ser exclusivamente mamífera e poderia começar então seu passeio pelos pomares e hortas disfarçados de papinhas. Na primeira semana, suco pela manhã e fruta à tarde. Começamos com uma maçã raspadinha. Antes da primeira colherada, vem a mãe com seus preparativos (também a mãe, e principalmente ela, perdida com tanta novidade!): senta a mocinha no carrinho, coloca o babador, parte a maçã ao meio (como se a menininha fosse comer tudo), raspa a maçã e dá a primeira colherada para ela. A reação? Uma caretinha, seguida por uma curiosidade pela colher. Quis segurá-la, colocar na boca junto com os dedos, mas a maçã mesmo ia para dentro e para fora, mais para fora que para dentro. Fez carinha boa, apesar de todo desajeito da mãe. “Então é isso que vocês adultos comem?”, o pai traduziu em palavras o pensamento da filha, depois da fotografia para registrar esse momento histórico (e que ilustra este post). O destino da meia maçã foi, inevitavelmente, o estômago da mãe. E daí em diante, virou rotina o suco pela manhã (ainda pouco apreciado por Maria) e a frutinha à tarde, momento mais de brincadeira que de alimentação, convenhamos. Na primeira semana de adaptação, quem conquistou o paladar da menina foi o mamão, até perder para a papinha salgada, introduzida na dieta na segunda semana. Na hora do almoço, uma mistura de cenoura, batata e chuchu, cozidas junto com carne e um pouco de azeite e transformados uma massa homogênea, foi devorada por ela (isso quer dizer umas duas ou três colheradas). Não sei se é o cheirinho de legumes que faço questão de fazê-la sentir ou se realmente ela tem preferência por coisas salgadas, só sei que é o que ela tem comido melhor. Estamos ainda na segunda semana, mas creio que daqui a pouco ela já estará comendo bem mais, feliz da vida e fazendo a maior bagunça como sempre. Do lado de cá, a mãe ainda está aprendendo a lidar com os horários e a dinâmica do dia, se virando e tentando descobrir se existe vida após as papinhas. Tudo fica de pernas pro ar para conseguir ajeitar essas delícias para minha menininha. Ela me retribui, com a carinha lambuzada e uma felicidade sem fim por estar crescendo e fazendo ainda mais parte do nosso mundo. Quer mais vida que isso?

Quando um filho cria asas e alça voos solos

Não, não estou falando da Maria. Com seus seis meses e poucos dias, essa fase ainda está longe de chegar (pelo menos assim penso). Está certo que sinto suas asinhas crescendo um pouco mais a cada vez que ela se torna mais independente, por exemplo, quando recusa o peitinho de mãe e se vira bem com a mamadeira, ou quando nem liga quando eu saio para trabalhar. Nessas horas, é um misto de alegria de vê-la crescendo, mas dá também uma pontinha de vontade de tê-la por mais tempo debaixo das minhas asas. Então, desta vez, peço licença para escrever sobre meu outro filho, um irmão-filho que neste domingo bateu suas asas rumo a Toronto. Luiz Henrique nasceu quando eu tinha doze anos. Foi ele meu boneco preferido nesta época, meu cobaia no treinamento para ser mãe. Já caí da rede de balanço com ele, levamos muitos tombos rua afora, afoguei-o na piscina do clube, deixei o passarinho trombar na cabeça dele, entre muitas outras “aventuras” que poderiam tê-lo feito me odiar para todo o sempre. Ao contrário, a cada dia nos amamos mais. Talvez porque a cada queda, tropeço ou deslize com ele, eu sempre dava um jeito de parecer que era divertido (coisa que tento aplicar com Maria e que funciona bem). Esse treinamento com meu irmão caçula durou até quando eu saí do interior e vim para Belo Horizonte, cursar Jornalismo. Acabei não voltando mais. Nessa época, Luiz tinha sete anos e nós dois sentimos a separação. Nossa relação mãe e filho passou a se dar apenas nos finais de semana. Depois desse período, desde 2011, quando começou a graduação em Engenharia Civil, ele veio de Azurita para Belo Horizonte e passou a morar comigo e meu marido. Senti como se meu filho tivesse voltado para casa já crescido, e que eu estava retomando a maternidade depois de alguns anos. Meu marido também o “adotou” como filho mais velho, nosso “herdeiro”, como brincamos, depois que ele foi confundido como nosso filho pelo instalador de armários. Éramos três, veio Maria, ficamos quatro. Impossível estar do lado dele sem ouvir uma piada inteligente e dar boas risadas. Bom também é desfrutar das comidas deliciosas que ele faz. Melhor ainda é poder contar com sua companhia, presença amável e sempre prestativa, especialmente nos cuidados com Maria, de quem é padrinho. Desde que foi selecionado para o Ciência sem Fronteiras, programa do governo federal para fomento à graduação sanduíche, percebi o quanto meu filhinho cresceu. Eu, que até então o via como um menininho, e até sonhava muitas vezes com ele bebê ainda, me deparei com um homem feito, responsável, decidido e com um futuro brilhante pela frente. Domingo ele bateu suas asas e voou para Toronto. Ficamos aqui, com o ninho vazio, mas com uma grande alegria de ver nosso primeiro filho, de coração, ganhando o mundo.

A pequena devoradora de livros

Se filha de peixe peixinha é, Maria, filha de dois professores comunicólogos loucos por livros, já mostra desde os primeiros meses o gosto por eles. Quando tinha por volta dos três meses, ganhou dos papais uma cadeira musical cheia de penduricalhos, dentre eles um livrinho de pano com figuras do fundo do mar, que faz barulho ao ser apertado. Desde então, adotou-o como brinquedo preferido. Só que para seus poucos meses de vida, entrar no mundo mágico que a imaginação constrói a cada página lida é algo ainda pouco cogitado, convenhamos. O que ela gosta, e muito, é de ler com a boca. Não no sentido de ler em voz alta, como provavelmente ela fará daqui a alguns anos, quando estiver decifrando esse código linguístico que inventamos, mas no sentido literal de devorar cada página do seu livrinho de pano. É um tal de morde pra cá, amassa pra lá, folheia aqui, aperta ali…  Tem horas que fica até bravinha por não conseguir colocá-lo todo na boca, tamanha a ansiedade da pequena devoradora de livros. O fato é que outro dia constatamos que, para ela, quanto maior o livro e quanto mais páginas ele tiver, melhor!  Depois de demonstrar encantamento pela estante multicor da sala, diante da qual fica fascinada, viu o papai pegar um livro imenso e não pensou duas vezes: largou seu livrinho de pano com algumas poucas letras e avançou no livrão de papel e letras miúdas que o papai pegou da estante. Não fosse o tamanho do livro um empecilho para essa façanha, as mãos ágeis e a boca voraz da menininha teriam transformado o livrão do papai no melhor brinquedinho babado da filhinha, que, por ser filha de traças, tracinha parece ser.

O caso do “Que beleza!” (ou como um bebê pode fazer você ganhar o dia)

De tempos em tempos, experimento na Maria as roupinhas novas que ainda estão grandes para ela e fico feliz ao ver que muitas delas já servem, porque minha mocinha está crescendo e engordando. De tempos em tempos, experimento minhas roupas de antes da gravidez para ver se já estão me cabendo novamente, e fico feliz ao ver que muitas delas me servem, porque estou emagrecendo. Nossa lógica oposta resulta na mesma satisfação para mim. Certo dia desses, minha alegria ao experimentar minhas roupas guardadas no baú da cama foi ainda maior, não apenas por muitas delas caberem na minha nova silhueta (um pouco mais curvelínea e rechonchuda), mas pela reação da Maria ao me ver prová-las. Lá estava eu, colocando minha calça amarela – tão pouco usada e guardada por longos 15 meses – feliz da vida, quase saltitante, quando, ao ver que já estava me servindo, soltei um “Que be-le-za!”, enfático e pausado. Maria, no auge dos seus quatro meses, que estava no bebê conforto me vendo fazer o jogo do estica e puxa, deu uma gargalhada deliciosa. Não sei se ela riu da minha situação ridícula ali, tirando e colocando roupas, fazendo uma figa para me servirem, soltando ais e ufas, ou se ela quis compartilhar da minha felicidade expressa nesse “Que be-le-za” que soltei. Só sei que repeti a frase exaustivamente, apesar de não ter tido o mesmo resultado da calça amarela com todas as peças do baú, mas só para ouvir mais e mais vezes aquela gargalhada contagiante. Aquilo me bastou e me fez ganhar o dia. Já não me importava mais o que servia ou não em mim.

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Personas de Maria

Pituquinha, Tuca Tuquinha, Filhotinha, Florzinha, Amore, Amor de mãe, Pititinha, Pituca, Pititita, Filhinha, Pequetitinha, Meninica, Maricotinha… enfim, MARIA! Todas essas apelidos carinhosos – se é que me lembrei de todos – com os quais chamo minha filha são no mínimo curiosos (e bobinhos, reconheço). Mas pensar sobre como esses apelidos surgem, se apoderam da nossa boca e tentam tomar o lugar do nome próprio sem a gente perceber é ainda mais curioso. Primeiramente, para que tanto nome para se referir a uma pessoa só? E por que quase todos no diminutivo? De que lugar criativo (e non sense) da minha consciência eles saíram (se é que surgiram conscientemente)? Por que trocar um nome tão lindo, escolhido com tanto carinho, por esses termos tão estranhos?  Já me peguei pensando nisso e não consegui achar uma resposta. Difícil precisar em que momento eles surgem, em que momentos eles são mais usados (alguns em brincadeiras, outros em trocas de carinho, outros até mesmo numa repreensão de leve…). De fato, se alguém tiver alguma ideia sobre isso, mate, por favor, minha curiosidade. Divagando um pouco, talvez seja uma tentativa de plurarizá-la, de tê-la de todas as formas por perto, de multiplicá-la em meu coração, de extravasar um sentimento de que ela vale por muitas. Tentativa em vão, pois Maria é, absoluta, no singular.

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Cheguei!!!!

Quando tinha meus sete anos, me lembro da minha tia se preparando para a chegada do seu primeiro filho. Com papel vegetal, ela fez pequenos babadores decorados nas bordas, com  flores na frente e a palavra “Cheguei!!!!”, para dar de lembrança de maternidade. Muitos anos depois, foi ela quem bordou várias toalhas para a minha primeira filha, Maria, e, entre elas, algumas com a palavra “Cheguei!!!!!”. Realmente, acho que não tem palavra melhor para dizer deste momento em que um serzinho chega na nossa vida. Ele vem assim mesmo, com várias exclamações e em letras garrafais. Chega para mudar para melhor a vida da gente. Chega para ser parte de uma família que já existia, mas que daí em diante nunca será a mesma. E hoje, registro aqui também a chegada deste blog. CHEGUEI!!!!!!! Após muita insistência do meu marido, grande companheiro de vida, resolvi criar este espaço para compartilhar histórias e casos sobre ser mãe. Digo insistência não porque eu não quisesse de fato ter esse espaço aqui, mas porque ainda não me sentia preparada ou com tempo disponível para fazer isso. Coisas de mãe que decidiu se dedicar quase que exclusivamente à filha. Coisas de quem está um pouco com medo de recomeçar, e confesso que estou. Coisas de quem passou toda a licença-maternidade focada na filha e se esqueceu um pouco de si. Talvez por isso esse início veio se protelando e só agora, quase seis meses depois do nascimento da Maria, ele aconteceu. Retomo aos poucos a minha própria vida, voltando ao trabalho, às aulas na faculdade e, por que não, a escrever sobre coisas tão incríveis que não devem ser restritas somente a mim. Sim, posso dizer agora que CHEGUEI!!! E peço licença para ficar.

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